A Casa Da Rua Baturité

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Olá queridos,
se você teve a mesma sorte que eu em conhecer a casa da rua Baturité, então você pode dizer, assim como eu, que conheceu um lugar especial, mas muito especial mesmo, com moradores alegres e cheios de amor pra dar, diferentes entre si, diferentes na sua maneira de ser, mas todos unidos num só coração.
A casa a que me refiro, é este sobrado cor de rosa na foto acima, que com muita sorte, encontrei no google e até me emocionei em ver que ela continua igual as minhas lembranças, e ainda conserva a janela aberta e a cortina em xale na sala da frente como no tempo que meus tios moravam lá.
Nos anos 70, eu ainda criança, costumava passar as minhas férias na casa dos meus tios Michel e Josefina, a casa deles ficava nesta rua mágica, no bairro da Aclimação em São Paulo.
A rua Baturité era especial, nela tínhamos a sensação de estarmos no interior, numa cidade (rua) onde todos se conheciam. Na minha memória ela não era uma rua muito grande, não devia ter mais que 500 ou 600 metros, mas era muito diferente de todas as outras.
A casa dos meus tios, ficava mais ou menos no meio dela, em frente me lembro que havia um bar, em cima deste bar morava um dos integrantes da banda do Rei Roberto Carlos na época,o Gato, e algumas vezes o “Rei” aparecia por lá e agitava toda a rua. A direita, andando um pouquinho havia um boliche que mais tarde virou um super mercado, O Pão de Açucar e nos sentíamos o máximo(nós crianças, eu Marcus, Marcius e Maria Gertrudes) porque podíamos ir lá sozinhos. Lá no começo da rua havia um bar maior, onde meu primo Marcus sempre me levava e me presenteava com balas e chocolates. A esquerda da casa da minha tia havia uma ladeira, mais abaixo ficava o apartamento da minha tia Eveline, na verdade ela era minha prima, mas eu a chamava de tia, assim como tio Ivan e tio Bié, todos primos chamados de tio. Zula ( Zuleika), Lala (Iara) e Tate (Zoraide) , eu sempre chamei pelos apelidos.
Todos frutos da união de Josefina Aziz com Michel Aoun.
Mas continuando, ao lado da casa dos meus tios havia um portão, da pra ver na foto, e no fundo havia uma vila de casas, eu achava aquilo incrível e muitas vezes imaginei como seria gostoso e tranquilo morar numa daquelas casas com paredes de pedras .
As férias lá, nesta casa, com essa gente alegre, era uma delícia, eu era criança, mas os mimos que recebemos nunca mais são esquecidos, marcam a nossa vida para sempre e lembro com saudades, muita saudades de todos, até dos que já se foram para sempre.
Além de ser uma casa cheia de gente, a noite costumava vir alguns vizinhos para assistir TV , não lembro o nome de todos, mas lembro que tinha o Sr. Romão e a Dona Anita, um casal de italianos muito engraçados, lembro também de uma senhorinha que quando entrou ladrão na casa dela ela lhe ofereceu chá por causa do frio e ele acabou indo embora sem roubá-la.
Na rua Baturité a gente brincava na rua durante o dia. Tinha algum dia da semana que passava um senhor com uma cabra que ao ouvirmos o sininho tocar já saíamos que era ele e saíamos todos correndo com copos na mão para tomarmos leite tirado na hora, acreditem ou não, isso era São Paulo.
Quando dormia no quarto da frente, na madrugada, se não me engano da quinta feira, começávamos a ouvir o “borbulhinho” dos feirantes montando suas barracas, outra aventura, sair na porta de casa e estar dentro da feira, eu amava. E lá íamos com a Mana ( tia Cema ) comprar pastel, que delícia.
Mas dentro de casa as aventuras não eram menores, logo as 7 da manhã, quando descia as escadas para o café da manhã lá estava o meu tio Michel já trabalhando e com o cinzeiro cheio de tocos de cigarro e a garrafa de café ao lado, a sua frente sua boa e velha máquina de escrever, que ele nos deixava usar para brincar depois que encerrava suas atividades do dia como advogado.
Tio Michel, não sei se ele era alto ou baixo, mas pra mim ele era grande, era protetor e ao mesmo tempo amoroso e carinhoso, chamava a todos de coração.
Minha tia Cema era solteira, e sempre morou com eles.
Nestes dias que passávamos lá era ela quem nos levava a passear, e minha prima Zoraide também, me levou a muitos lugares, a mim e a minha mãe.
A Lala, sempre me trazia um presentinho na volta do trabalho, e alguns ela fazia com as próprias mãos, como uma bouna cor de rosa de crochê que eu amava ❤ .
Minhas duas tias e minha mãe cuidavam da comida sempre, mas três mulheres juntas na cozinha era um bom motivo para uma ou outra discussão, nós morríamos de rir, porque até as "brigas" eram engraçadas.
O que mais me encantava nesta casa era mesmo que ela era cheia de gente sempre, acostumada a morar somente com minha mãe, pois minhas irmãs já eram casadas, estar numa casa movimentada e onde todos me paparicavam muito me fazia sentir vontade de morar lá com eles, é como se eu ficasse numa eterna férias.
Além dos moradores e dos vizinhos, minhas primas tinham muitos amigos que frequentava a casa, ouviam música, era um entre e sai danado de gente, um sobe e desce de escadas, era movimento, e era isso que minha alma ansiava, eu era criança, queria barulho, companhia e carinho, e lá eu tinha tudo isso.
A casa não era tão grande, mas inacreditavelmente cabia todo mundo e todos os outros que chegavam também para passar uns dias, como meu padrinho Adir com minha madrinha Zula e minha prima Ione, meu tio Bié com a esposa Maria Aparecida e meus primos Maria Gertrudes e Luis Gabriel.
Hoje, entendo que o tamanho da casa não importa, o que fazia esse milagre de acolher todos era o enorme coração dos meus tios que se alegravam com cada um que chegava, que sempre tinham um sorriso para dar, mesmo nos momentos difíceis, mesmo nos dias escuros, mesmo nas horas de dor, eles nunca deixaram de ter uma palavra de carinho ou um prato quentinho de comida para quem quer que fosse, parente, amigo, conhecido…é assim que me lembro deles.
Se alguém me pedir para descrever com uma palavra apenas a casa da Baturité, eu digo "alegria", se for com duas, eu digo "amor e alegria", se for com três " amor, alegria e colo", sim, porque acho que é assim que eu me sentia lá, "no colo".
Mas como tudo chega ao fim um dia e nesse corre e corre de gente, música, comida, festas, alegrias os dias passavam rápido demais e as féria também terminavam, era triste o dia de voltar para casa, mas eu me consolava com a esperança de voltar nas próximas férias.
Pena que na época eu era muito criança e imatura para entender toda a dimensão desse amor e nem imaginava que tudo isso fosse ficar tão vivo na minha memória. Pena que hoje meus tios não estão mais vivos para eu poder agradecer por ter passado com eles parte da minha infância e de ter sido tão bom.
Beijo a todos,
Gratidão eterna aos meus amados tios Michel e Josefina.
Ofereço a Marcus, Marcius, Ione, Zula, Iara, Tio Ivan, Maria Gertrudes

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Sobre denisefelipe

Trabalho com moda, escrevo no site da loja peteteca.com.br, e tenho um espaço no blog leticiadias.bog.br. Estou aqui porque gosto de escrever sobre vários assuntos. Sou eclética e quero dividir algumas coisas com vocês.
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